Houve uma época da minha vida em que eu importava CD’s por impulso. E eu exagerava mesmo. Muitos destes CD’s eram de bandas que eu nunca havia escutado sequer uma música, mas felizmente existem poucos que me arrependi de ter comprado. Obviamente, antes de comprar estes discos, procurava algum review ou alguma informação, mas geralmente não tinha como escutar nada, pois muito do que escuto encontra-se no meio underground.
Numa leva de oito discos que comprei no começo de 2006, teve um que superou todas as expectativas. Na verdade, quando os discos chegavam eu nem me lembrava mais dos reviews que eu havia visto. Simplesmente os colocava para tocar e sentava na sacada do apartamento que eu morava em Florianópolis que me dava uma bela vista para o mar e escutava com muita atenção cada um destes discos.
O disco que mais me surpreendeu daquela vez foi o Destination, da banda sueca Street Talk. Nem sei como fui pedir um disco deles. Este disco é uma coletânea da banda que foi lançada em 2004 e que trazia o melhor dos três primeiros discos dos suecos. E foi paixão a primeira vista. A banda toca um AOR muito bem tocado e produzido, com bastante teclado e vocalistas excelentes.
A banda é um projeto do tecladista Fredrik Bergh, que conta com diversos músicos diferentes em cada disco. Dentre os vocalistas, aparecem Goran Edman (que participou de diversas bandas, como Talisman, Yngwie Malmsteen, Glory, Madison e Brazen Abbot), Daniel Johnson, Kristian Andren e Hugo (que cantou nos discos do Valentine e Open Skyz e é uma das vozes que mais nos faz lembrar de Steve Perry, ex-Journey).
Além deles, participaram deste projeto: Andreas Lidberg e Sven Larsson nas guitarras, Mikael Bermer e Bjorn Lodmark nos baixos e ainda Jon Persson e Chris Johansson na bateria. Nos últimos discos da banda, a formação foi Edman, Bergh, Larsson, Lodmark e Johansson.
Street Talk toca um AOR de primeira, sem muito peso nas guitarras, com muitas melodias e belíssimos teclados. Esta fórmula esteve presente nos três primeiros discos da banda. São músicas perfeitas para um som ambiente, que falam principalmente sobre amor, paixão e relacionamentos.
Todos os três primeiros álbuns são excelentes e fica difícil citar as melhores músicas, visto que a grande maioria delas são acima da média. Cada vocalista traz um toque diferente para as músicas e todos fazem seu trabalho muito bem. Para se ver a qualidade da banda, percebe-se que na coletânea muitas músicas excelentes ficaram de fora (sendo que todas as músicas presentes merecem estar nela), o que te obriga a buscar por todos os álbuns.
O último trabalho da banda foi lançado em 2006 e se chama V. Em V, Goran Edman foi o único vocalista presente e neste disco, as guitarras ganharam mais presença nas músicas. O resultado ficou perfeito e para mim, ficou aquele ‘gostinho de quero mais’.
DISCOGRAFIA:
Collaboration (1997), Transition (2000), Restoration (2002), Destination (2004) e V (2006).