Palmeiras: ano de mudanças nos bastidores e frustrações dentro de campo

O ano de 2009 ficará marcado na história palmeirense. Mas infelizmente não será pelas conquistas dentro de campo, já que elas não vieram. No começo do ano, Luiz Gonzaga Belluzzo assumiu a presidência do clube e muita coisa a partir dali começaria a mudar.

Primeiramente, há de se louvar o planejamento feito entre Palmeiras e sua parceira em 2008, aonde alguns jogadores foram contratados bem antes do final do ano. Dentre as contratações apareceram: Cleiton Xavier, Willians e Marquinhos, sendo que apenas o primeiro brilhou. Já Willians, que começou o ano muito bem no ataque alviverde ao lado de Keirrison, teve um segundo semestre apagado, por conta de suas contusões e também pela perda de espaço com a chegada de Muricy Ramalho. E Marquinhos foi a grande decepção, já que pouco fez durante este ano de 2009.

Apesar dos resultados em campo não terem sido nem perto do esperado (eliminação nas semifinais do Paulista, nas quartas da Libertadores e um modesto quinto lugar no Brasileirão), gostei do trabalho da diretoria. Claro que houveram momentos conturbados, mas creio que esforço e dedicação não faltaram para fazer o Palmeiras voltar a ser o gigante que foi na década de 90.

Keirrison, o artilheiro do Palmeiras no ano, também ficará marcado. Não só pelos gols, mas principalmente por sua saída pelas portas do fundo do clube paulista. Jogador e seus empresários não viam a hora de uma oportunidade no exterior e saíram na primeira chance que tiveram. E esta transferência atrapalhou (e muito) ao desempenho do time. Antes mesmo da transferência para o Barcelona ser concretizada, era nítida a maneira como o jogador se preservava dentro de campo para evitar algo que atrapalhasse esta mudança.

E depois de muita confusão, a saída do jogador culminou na demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo, que também teve um ano para se esquecer. Neste instante, o Palmeiras começava a entrar na disputa pelo título brasileiro contra Atlético-MG e Internacional. O último jogo de Keirrison foi contra o Atlético-PR na Arena da Baixada, aonde o camisa 9 marcou o gol de empate já nos acréscimos do jogo.

Assume interinamente o cargo de treinador do Palmeiras o ex-jogador e auxiliar técnico Jorginho, ao mesmo tempo em que o clube corria atrás do ex-treinador do São Paulo, Muricy Ramalho. Dentro e fora de campo, os jogadores pareciam unidos e engajados em transformar Jorginho no treinador titular do Palmeiras. E por conta disso, os resultados foram muito positivos dentro de campo.

Depois da novela do começo de ano envolvendo o atacante Kléber, o time alviverde passaria a viver a novela Muricy Ramalho. Depois de um primeiro contato infrutífero e de muitas conversas, tudo levava a crer que o técnico tricampeão não viria. E quando esta novela parecia resolvida e o assunto encerrado, Muricy foi anunciado como técnico do Palmeiras.

Neste instante, o time já era líder do campeonato e a estreia de Muricy foi contra o Fluminense, em uma quarta-feira chuvosa. Com um gol de Diego Souza, que fazia sua centésima partida pelo clube, o Palmeiras bateu o time que era treinando naquele instante por Renato Gaúcho.

Na janela de transferências, o clube fez grandes esforços para segurar seus principais jogadores, que também sofriam assédio dos clubes europeus. Pierre e Maurício Ramos tiveram seus passes comprados pelo clube enquanto que os meias Diego Souza e Cleiton Xavier foram mantidos no elenco, com o aval da empresa que faz parceria com o time.

Tudo estava indo bem e parecia que finalmente o Palmeiras iria voltar a comemorar um título importante. Desde a Libertadores de 1999, o clube paulista ganhou apenas um Paulistão, uma Copa dos Campeões, um Torneio Rio-São Paulo e um Brasileiro da série B.

Time na liderança, obtendo bons resultados e ainda contratando o atacante Vagner Love, que veio para preencher a camisa 9 deixada por Keirrison. Em sua reestreia, o atacante deixou o dele na vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio Barueri. Além disso, o jogador Valdívia começava a declarar seu desejo em retornar ao clube para a disputa da Libertadores de 2010 e começava a negociar seu retorno junto a diretoria de seu clube atual.

No começo de outubro, após a vitória por 3 a 1 sobre o Santos na casa do adversário, a torcida já soltava o grito de ‘É campeão’! E isso parecia estar muito perto de acontecer. Ao mesmo tempo, a Seleção Brasileira que estava disputando as Eliminatórias, convoca os dois meias do time para o jogo contra o Chile. E a partir daí, as coisas desandaram.

Não considero que a convocação tenha sido o motivo da queda de rendimento do clube, mas foi aí que se percebeu a carência do time neste setor. Para piorar, Cleiton Xavier se contundiu logo em seguida e se juntou ao volante e guerreiro Pierre e também ao zagueiro Maurício Ramos no departamento médico do time. Outubro foi então o início da queda do time.

Depois de tantos resultados ruins, o clima piora com a polêmica envolvendo Belluzzo e o árbitro Carlos Eugênio Simon, após a derrota por 1 a 0 para o Fluminense no Maracanã. Em seguida, o time tem outra partida que gerou enorme polêmica, no empate em 2 a 2 contra o Sport no Palestra Itália.

A vaca estava realmente indo para o brejo. E no jogo seguinte, contra o Grêmio em Porto Alegre, a casa caiu de vez. Obina e Maurício trocam agressões no intervalo do jogo, na frente das câmeras e do juiz e são expulsos da partida. O resultado já era de desvantagem e com dois jogadores a menos, seria impossível reverter o placar.

Contra o Atlético-MG, o time reacende a possibilidade de título após boa vitória por 3 a 1, com direito a um gol de placa de Diego Souza. Chega então o episódio da agressão a Vagner Love e na partida final, o time perde para o Botafogo no Rio e acaba terminando o campeonato apenas em quinto lugar, ficando fora da Libertadores de 2010.

Apesar dos pesares, vamos relembrar alguns momentos agradáveis para os palmeirenses neste ano.

Para 2010, a diretoria já garantiu Muricy no comando. E para mim, esta é a melhor decisão. Por outro lado, o técnico sofre e sofrerá forte pressão de boa parte da torcida, que entende que se Jorginho tivesse sido mantido no cargo, o Palmeiras teria sido campeão.

Contratação de técnico vencedor, manutenção do elenco e contratação de um jogador que poderia ter rendido mais, foram as tentativas da diretoria em trazer o caneco para o Palestra Itália, que infelizmente não deram certo. Creio que as coisas estão no caminho certo, mas o Palmeiras precisa de um título importante para que esta diretoria, que tem feito tanta coisa boa, fique marcada pelas vitórias.

Se Muricy ficar, terá tempo para trabalhar e montar um elenco da maneira que ele deseja, para tornar o Palmeiras mais forte. Resta agora torcer para que 2010 seja um ano de conquistas e não de tantas frustrações como foi 2009.

Grêmio empata com o Sport em casa

Em um dos jogos em que o resultado parecia um dos mais fáceis de se adivinhar, não deu a lógica. Jogando em casa e empurrado por sua torcida, o Grêmio apenas empatou com o penúltimo colocado do Campeonato Brasileiro e ocupa agora a sétima posição, com 40 pontos.

O time gaúcho saiu na frente do marcador logo no começo do jogo com um belo gol de Jonas, que pegou de primeira um cruzamento de Maxi López. Mas três minutos depois o Sport empatou com um gol de Vandinho (ex-Avaí e Flamengo) após cobrança de escanteio de Dutra e péssima saída de Marcelo Grohe, que substituiu o goleiro da Seleção Brasileira Victor, que estava lesionado.

Aos 27 minutos, o Grêmio voltou a comandar o placar com uma bela jogada do argentino Maxi López, que ao fugir de Durval, cortou o zagueiro Igor e chutou. Igor ainda desviou a bola que acabou encobrindo o goleiro Magrão.

Terminado o primeiro tempo, o Grêmio vencia a partida e tudo parecia que mais uma vitória do tricolor aconteceria, mas não foi isso que acabou ocorrendo. Aos 4 minutos do segundo tempo, em arrancada pela esquerda, o Sport chegou ao empate com um gol de Paulinho, que pegou o rebote do goleiro Marcelo Grohe em finalização do volante Andrade. Nesta, Marcelo não teve culpa: deixaram Andrade chutar sozinho da entrada da área e ninguém marcou o atacante do time pernambucano.

Pouco depois, o Grêmio teve chance de ouro, com um pênalti a seu favor. Porém o capitão Tcheco (que até tem um site pedindo a sua saída por um gremista revoltado) acabou desperdiçando a chance e Magrão (aquele mesmo que tomou o milésimo gol de Romário) fez grande defesa. Aos 14, Maxi López fez seu segundo gol em cobrança de escanteio batido por Souza e colocou os gaúchos novamente em vantagem.

Quando tudo parecia certo para os gaúchos, o Grêmio acabou levando novamente o empate. Em cobrança de falta da intermediária, em que pensei que a defesa gremista sairia para fazer a linha de impedimento, a bola acabou sobrando para Fininho empatar o jogo novamente e fechar o placar do jogo.

Paulo Autuori fez alterações óbvias e não tentou algo mais ousado: trocou um lateral esquerdo por outro (Lúcio entrou no lugar de Bruno Colaço), trocou seu zagueiro-lateral por outro (Mário Fernandes foi substituído por Willian Thiego) e um volante por outro (Túlio aquele mesmo do Botafogo e de passagem relâmpago pelo Corínthians, entrou no lugar de Adílson). Sendo assim, acabou sendo vaiado por parte da torcida gremista.

Apesar do péssimo resultado, vale lembrar que a distância do Grêmio para o G-4 é de apenas cinco pontos e que o time tem totais condições de tirar. Porém, os resultados fora de casa tem comprometido a campanha do Tricolor e por isso, até a torcida ainda tem um pé atrás quanto as chances do time conquistar uma vaga na Libertadores, já que os dois próximos jogos serão fora: contra o Atlético-PR em Curitiba e contra o Corínthians em São Paulo. Será que o Grêmio chega entre os quatro primeiros?

Não deu para o Cruzeiro. Estudiantes campeão

O futebol brasileiro disputou a última Taça Libertadores com cinco times e tudo nos levava a crer que um deles seria campeão. E não foi isso que aconteceu. O campeão das Américas em 2009 é o Estudiantes da Argentina.

Os jogos das finais teve superioridade dos argentinos. No primeiro jogo disputado na Argentina, o destaque acabou sendo o goleiro Fábio, que impediu a derrota cruzeirense e manteve o placar do jogo no 0 a 0. Já no jogo do Mineirão, o time brasileiro foi pouco criativo e acabou saindo derrotado por 2 a 1.

E o Brasil sai derrotado em mais uma final envolvendo um time de outro país. O Palmeiras foi o último time a vencer o torneio continental enfrentando um adversário estrangeiro e também o primeiro a começar esta sina que nos persegue, quando perdeu em 2000 a final para o Boca Jrs. Depois do Palmeiras, perderam também em finais o São Caetano, Santos, Grêmio, Fluminense e agora o Cruzeiro.

Desde o título alviverde de 1999, os brasileiros só venceram o torneio quando a final envolvia dois times nacionais. E isso aconteceu em 2005 quando o São Paulo bateu o Atlético-PR e quando o mesmo São Paulo saiu derrotado da final contra o Internacional.

Para o próximo ano, apenas o Corinthians tem vaga assegurada. E será neste Brasileirão que os outros quatro times serão definidos. E apenas daqui a um ano saberemos se a sina de finais contra estrangeiros será ou não quebrada. Mas já existe a sensação de que pelo menos um destes cinco clubes chegará a nova decisão, pois pelo menos quatro times chegarão ao torneio (já que um time disputará a pré-Libertadores e pode nem chegar a fase de grupos). Bom, ainda falta muito tempo até lá. Vamos aguardar o Brasileirão antes de voltar a pensar no torneio das Américas.