O rock melódico de Goodbye Thrill

Dentre os lançamentos de 2007 que conheci, um que me chamou bastante a atenção foi o álbum de estreia (e até agora o único) da banda Goodbye Thrill. Esta banda conta com os brasileiros Marc Ferreira (vocal/guitarras) e Dario Seixas (baixo), além de Dean Cramer (guitarras) e Peter Eiselman (bateria).

Marc e Dario estão nos EUA há bastante tempo, buscando seus lugares ao sol e espero que encontrem, pois são músicos de extrema competência. Marc tem alguns discos solos (Fallen Heroes de 2002 e Working Overtime de 2009) e dois discos com a banda Venturia, Dario trabalhou com o Firehouse em 2003 e Dean Cramer foi guitarrista da banda Funny Money, que tinha como vocalista Steve Whiteman (ex-Kix).

O disco Goodbye Thrill é simplesmente fenomenal. Começa com três petardos: Super Perfect World, Ticket To Paradise e Rainy Day. A primeira é a mais roqueira de todas. Já Ticket To Paradise é super melódica e com um excelente trabalho dos backing vocals (que me fazem lembrar dos irmãos Nelson). Rainy Day é outra música extremamente melódica em que destaco o bridge e o refrão, além do trabalho de Marc no violão e de Dario no baixo.

As três músicas seguintes não ficam devendo em nada para o começo do disco. Give You Away é um pouco mais lenta e com os backing vocais super afinados como em Ticket To Paradise, além de um solo de guitarra muito interessante. Let Me Sleep é uma música mais agitada e menos melódica, mas com certeza seria um dos muito singles deste disco. Dead To Me é outro destaque. Muito melódica, com a parte instrumental muito bem trabalhada e com os vocais de Marc muito agradáveis.

Fallen Heroes é a sétima música. Um pouco abaixo das demais, mas que melhora muito na parte do bridge e do refrão. Got To Be já volta ao rock melódico do começo do disco, enquanto que Leap Of Faith é a música mais lenta do disco e que tráz um refrão marcante.

Para fechar, chegam Taste e Hungry. A primeira delas é simplesmente perfeita e outro ponto alto do disco, enquanto que Hungry é a música que menos me agradou. Não encontrei mais vídeos da banda tocando suas próprias músicas, mas em compensação encontrei Goodbye Thrill fazendo o cover da música Don’t Stop Believin’ do Journey.

Street Talk, uma das melhores bandas de AOR

Houve uma época da minha vida em que eu importava CD’s por impulso. E eu exagerava mesmo. Muitos destes CD’s eram de bandas que eu nunca havia escutado sequer uma música, mas felizmente existem poucos que me arrependi de ter comprado. Obviamente, antes de comprar estes discos, procurava algum review ou alguma informação, mas geralmente não tinha como escutar nada, pois muito do que escuto encontra-se no meio underground.

Numa leva de oito discos que comprei no começo de 2006, teve um que superou todas as expectativas. Na verdade, quando os discos chegavam eu nem me lembrava mais dos reviews que eu havia visto. Simplesmente os colocava para tocar e sentava na sacada do apartamento que eu morava em Florianópolis que me dava uma bela vista para o mar e escutava com muita atenção cada um destes discos.

O disco que mais me surpreendeu daquela vez foi o Destination, da banda sueca Street Talk. Nem sei como fui pedir um disco deles. Este disco é uma coletânea da banda que foi lançada em 2004 e que trazia o melhor dos três primeiros discos dos suecos. E foi paixão a primeira vista. A banda toca um AOR muito bem tocado e produzido, com bastante teclado e vocalistas excelentes.

A banda é um projeto do tecladista Fredrik Bergh, que conta com diversos músicos diferentes em cada disco. Dentre os vocalistas, aparecem Goran Edman (que participou de diversas bandas, como Talisman, Yngwie Malmsteen, Glory, Madison e Brazen Abbot), Daniel Johnson, Kristian Andren e Hugo (que cantou nos discos do Valentine e Open Skyz e é uma das vozes que mais nos faz lembrar de Steve Perry, ex-Journey).

Além deles, participaram deste projeto: Andreas Lidberg e Sven Larsson nas guitarras, Mikael Bermer e Bjorn Lodmark nos baixos e ainda Jon Persson e Chris Johansson na bateria. Nos últimos discos da banda, a formação foi Edman, Bergh, Larsson, Lodmark e Johansson.

Street Talk toca um AOR de primeira, sem muito peso nas guitarras, com muitas melodias e belíssimos teclados. Esta fórmula esteve presente nos três primeiros discos da banda. São músicas perfeitas para um som ambiente, que falam principalmente sobre amor, paixão e relacionamentos.

Todos os três primeiros álbuns são excelentes e fica difícil citar as melhores músicas, visto que a grande maioria delas são acima da média. Cada vocalista traz um toque diferente para as músicas e todos fazem seu trabalho muito bem. Para se ver a qualidade da banda, percebe-se que na coletânea muitas músicas excelentes ficaram de fora (sendo que todas as músicas presentes merecem estar nela), o que te obriga a buscar por todos os álbuns.

O último trabalho da banda foi lançado em 2006 e se chama V. Em V, Goran Edman foi o único vocalista presente e neste disco, as guitarras ganharam mais presença nas músicas. O resultado ficou perfeito e para mim, ficou aquele ‘gostinho de quero mais’.

DISCOGRAFIA:

Collaboration (1997), Transition (2000), Restoration (2002), Destination (2004) e V (2006).

Danny Vaughn: uma das melhores vozes do hard rock

Um dos vocalistas que mais gosto é Danny Vaughn. Não apenas por sua voz, mas também pelos bons trabalhos que ele fez durante sua carreira. Além da carreira solo, Danny teve participações em Waysted e Tyketto, além de seu projeto chamado From The Inside.

Na banda britânica Waysted, Danny participou do segundo álbum, chamado Save Your Prayers de 1986. Em 1999, a banda lançou o demo deste disco, que saiu com o nome de Wilderness Of The Mirrors. Save Your Prayers é um disco de hard rock bem tradicional dos anos 80 e que mesmo não sendo brilhante, é muito bom. Apesar do bom trabalho de todos os músicos, não dá para negar que o destaque deste disco fica para a voz de Danny.

Danny então reaparece em 1991 com a banda Tyketto. Os dois primeiros discos da banda são Don’t Come Easy de 1991 e Strenght In Numbers de 1994. E são dois clássicos do hard rock. Conheci a banda através de um amigo da época de faculdade e ele colocou a música Wings que está no primeiro disco para tocar. E simultaneamente, ele começou a tocar um solo de guitarra junto da música. Foi o que chamamos de paixão à primeira vista (pela música e pela banda é claro). Além de Wings, destaco Forever Young, Sail Away, Burning Down Inside, Standing Alone e Seasons.

O segundo disco também é fora de série. Em minha opinião ele é melhor do que o primeiro, mesmo sendo Wings a melhor música da banda. Neste disco existem mais músicas boas do que no primeiro, mesmo que elas não sejam as melhores. Como destaques, fico com Meet Me In The Night, Rescue Me, Catch My Fall, Strenght In Numbers, Write Your Name In The Sky, The End Of The Summer Days, além de Standing Alone que reaparece neste álbum.

Tyketto é daquelas bandas que não fica devendo em nada para as que mais brilharam no cenário hard rock, mas que infelizmente não teve a devida atenção da mídia. O terceiro disco da banda é Shine, que já não conta mais com a participação de Danny Vaughn. Quem assumiu os microfones neste disco, foi Steve Augeri, que tinha trabalhado com Tall Stories e que posteriormente foi se tornar vocalista de Journey, uma das lendárias bandas de AOR.

Em 2007, o Tyketto se reuniu para uma turnê de despedida, e lançou The Last Sunset: Farewell 2007. Neste disco, encontramos demos de alguns clássicos da banda e de outras músicas que não foram lançadas.

Outro trabalho de Vaughn foi com From The Inside. Em 2004 foi lançado o disco de estreia desta banda, que contou com diversas músicas covers de outros estilos de som e que ficou sensacional. Considero este disco de rock melódico e não de hard rock na veia como os do Tyketto ou do Waysted. E sem dúvidas, foi um dos melhores lançados há cinco anos atrás.

Em 2008 foi lançado o segundo disco da banda: Visions. Apesar dos grandes comentários de fãs de Vaughn, achei Visions apenas um disco bom. Não que as músicas sejam ruins, mas elas não são do mesmo nível e qualidade das músicas do álbum de estreia. Meu destaque fica para a linda If It’s Not Love, Days Of Hunger e 21st Century. Talvez eu seja mais duro com este álbum devido a tudo o que Vaughn lançou antes e para mim, as músicas deste disco estão ficaram abaixo do que Vaughn pode fazer.

Além destes trabalhos, Vaughn lançou seis discos em carreira solo (apesar de alguns músicos do Tyketto participarem das gravações dos mesmos): Soldiers And Sailors On The Riverside (2000), Fearless (2001), Forever Live e Standing Alone (2002), Traveller (2007) e para fechar, The Road Less Travelled (2009). Estes discos trazem alguns materiais ao vivo ou acústico de Tyketto. Apenas os dois primeiros e Traveller são álbuns que trazem apenas músicas inéditas. São trabalhos que também ficam abaixo dos primeiros de Vaughn, mas que valem uma escutada.